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Segunda, 28 Jul 2014
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Qui, 19 de Abril de 2012 11:55

Câncer de Vesícula Biliar

O tipo mais freqüente de tumor do sistema biliar é o câncer da vesícula biliar. Dentre todos os tumores que acometem a vesícula biliar, o mais comum é um tumor maligno conhecido como colangiocarcinoma. Os tumores da vesícula biliar são o quinto tumor mais freqüente nos Estados Unidos. No Brasil não se encontra entre os cânceres mais freqüentes e tem sido ainda pouco descrito e diagnosticado.

Fatores de risco do câncer da vesícula biliar

- Chance de câncer aumenta com a idade, com maior pico acima de 60 anos.
- Pedra na vesícula: ainda não se sabe se pedra na vesícula é fator de risco ou uma simples coincidência achada na maior parte dos pacientes com câncer da vesícula biliar.
- Obesidade.
- Gravidez múltipla.
- Hormônios sexuais, irradiação, exposição a produtos químicos e algumas infecções.
- Alguns tipos de pólipos da vesícula biliar e vesícula em porcelana (associada a câncer em 20% dos casos).
- Localização geográfica: com alta incidência na China, Índia, Israel, Chile e Polônia.

Sintomas de câncer da vesícula biliar

- Grande maioria não apresenta sintomas e descobre-se a presença do câncer em estágio já avançado, sem chances de cirurgia curativa
- Quando sintomas estão presentes, a Cólica biliar (semelhante a daqueles com pedra na vesícula) é o sintoma mais comum. A dor na barriga costuma ser do lado direito, abaixo das costelas, podendo se apresentar em crises acompanhada por náuseas, vômitos e falta de apetite. Em algumas vezes massa (“caroço ou bola”)  pode ser sentido pelo paciente e confirmado com exames de imagem na fase de diagnóstico.
- Em cerca de um terço dos pacientes, pode haver icterícia (amarelo nos olhos), geralmente indicado um tumor de maior tamanho.
- Alguns pacientes relatam dificuldade em se alimentar, cansaço e perda de peso.
 

Detecção Precoce do colangiocarcinoma e câncer da vesícula biliar

A maior parte dos casos de câncer da vesícula biliar é diagnosticada em fase avançada, dificultando a cura. Diferentemente de outros tipos de câncer (como de mama pela mamografia ou de cólon pela colonoscopia) não existe teste de “screening” para detecção do tumor em fase inicial.

Diagnóstico e estadiamento de câncer da vesícula biliar

O  ultrassom da vesícula biliar pode detectar na maioria da vezes pólipos, pedras e cânceres da vesícula biliar em mais de 90% dos casos. Por haver uma imagem bem típica durante o exame, um examinador experiente pode diferenciar o pólipo, uma pedra da vesícula e um tumor em fase inicial. Em fase avançada com tumor maior, o exame por ultrassom ainda é mais preciso e pode também descrever o envolvimento do fígado.

No entanto, muitas vezes as imagens da ultrasonografia precisam ser complementadas para uma melhor avaliação do tumor e das suas relações com órgãos vizinhos através de uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Tomografia computadorizada com uso apropriado de contraste, e interpretação por um radiologista experiente, pode contribuir pra diferenciar o pólipo de um tumor verdadeiro (Adenoma ou adenocarcinoma). A tomografia ainda permite avaliar se existe extensão do tumor para além do local onde normalmente se encontra a vesícula biliar, para o fígado, para vasos sanguíneos ou órgãos adjacentes. Em casos comprovados, um exame do tórax deve ser realizado para verificar se o tumor se espalhou para os pulmões ou outros órgãos.
O uso de PET-CT ainda é novo para tumores da vesícula biliar e não é considerado rotineiro, mas vem crescendo e pode mudar o tratamento em alguns casos.

Muitas vezes o tumor não é detectado antes da remoção da vesícula biliar, valendo aqui a importância que o cirurgião examine a vesícula biliar após a cirurgia e que se confira o resultado da patologia (microscopia) após esta cirurgia. Outros exames de sangue podem demonstrar alteração do fígado, dos canais biliares, do pâncreas e sinais de infecção. Marcadores tumorais como CEA e CA 19-9 podem ser usados pra auxiliar no seguimento do tratamento.

Após o diagnóstico confirmado serão realizados outros exames de sangue e de imagem para entender em que fase se encontra o câncer. A este processo damos o nome de estadiamento. Quanto mais precoce (inicial) for o tumor maior é a chance de cura. Tumores em fase inicial são aqueles limitados a parede da vesícula biliar. Os tumores de fase intermediária acometem também os gânglios linfáticos ao redor do tumor e os tumores avançados podem envolver outros órgãos próximos ou distantes (ao que se dá o nome de metástase).

O estadiamento é comumente realizado pelo sistema conhecido como TNM. Neste, o T indica o tamanho do tumor, o N o envolvimento de gânglios linfáticos e o M a presença de metástases. Em outras palavras, este sistema permite especialistas, pacientes e familiares entenderem se o tumor está localizado somente na vesícula biliar, na região da vesícula biliar ou se espalhou para o restante do organismo. Com esta informação medidas de tratamento serão tomadas e pode se calcular a chance de cura em situações distintas.

Tratamento do câncer da vesícula biliar

O único tratamento que pode proporcionar cura para o câncer de vesícula biliar é a cirurgia. Quando tumor de vesícula for encontrado está indicado a colecistectomia com remoção de gânglios linfáticos (linfadenectomia) e de parte do figado (hepatectomia que remove parte dos segmentos V e IVb do fígado, onde se localiza a fossa da vesícula biliar). O objetivo é que se remova todo o tumor com uma margem segura ao redor do mesmo. Preferencialmente esta cirurgia deve ser planejada antecipadamente e realizada de uma única vez. Alguns experts sugerem que se deva iniciar a cirurgia com laparoscopia para que em casos de metástases por todo o abdomen se evite uma cirurgia maior. Colecistectomia laparoscópica costuma ser evitada para que se evite disseminação tumoral.

Nos casos, onde a cirurgia é realizada por outro motivo (por exemplo pólipo, pedra ou inflamação) e um tumor é descoberto ou suspeito durante a cirurgia vale a confirmação por exame microscópico (chamado de congelação) seguido de linfadenectomia e hepatectomia. Naqueles em que somente o exame de patologia diagnostica o tumor, muitas vezes após alta hospitalar, pode estar indicada nova cirurgia para término da linfadenectomia e hepatectomia. Neste caso, dependerá da profundidade de penetração do tumor da vesícula biliar.

Nos tumores precoces (T1a) podem ser curados em até 90% dos casos com simples remoção da vesícula biliar. Se o tumor invadir além da camada muscular da vesícula biliar (T2 e T3) nova cirurgia para término do tratamento está indicada. Em alguns casos onde existe invasão de vasos sanguineos ou outros órgãos próximos a vesícula biliar uma maior porção do fígado ou parte de outros órgãos poderão ter que ser ressecados para que se permita a cura deste câncer. Assim, a avaliação por um especialista experiente e versado em problemas do fígado e da vesícula biliar está sempre indicada. 

Não existem dados suficientes para provar que quimio ou radioterapia melhoram as chances de cura de pacientes com câncer da vesícula biliar. A indicação dependerá das circunstâncias de diagnóstico, estadiamento e achados de cirurgia. Em alguns casos onde o paciente é diagnosticado em fase avançada não existirão boas chances de cura e o tratamento por equipe especializada consistirá em aliviar a dor e permitir que se alcance a melhor qualidade possível após o diagnóstico.

Resultados do tratamento de câncer da vesícula biliar

Os resultados do tratamento estarão na dependência do estadiamento do câncer. Naqueles com estádio precoce as chances de cura beiram 90%, em fase intermediária entre 65-80% e na maioria com diagnóstico já em fase avançada (ictéricos, com grandes tumores ou comprometimento de gânglios), as chances de cura raramente ultrapassam 30%.
 
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