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Quarta, 23 Jul 2014
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Seg, 12 de Setembro de 2011 16:43

Cistos Hepáticos

Define-se como cisto hepático uma cavidade revestida por células do fígado que geralmente contém material liquído ou viscoso. Os cistos hepáticos são achados muito comuns, encontradas em cerca de 5% da população. São mais prevalentes em mulheres e sua frequência parece aumentar com a idade.

Os cistos podem ser únicos ou múltiplos. Quanto a sua causa podem ser classificador em hidáticos, decorrentes de doenças genéticas (doença policística da criança, do adulto e da doença de Caroli), traumáticos (ocorrem após traumatismo do fígado) e tumorais (ou neoplásicos). 

Cistos hidáticos

Os cistos hidáticos decorrerm de uma complicação de uma doença causado por um parasita chamado equinococo (Echinococcis granulosus). Geralmente são únicos, apresentando um período assintomático, seguido por um segundo período de sintomas inespecíficos e um terceiro com complicações (o rompimento ou rotura é o mais frequente).  Sorologia para equinococo, associado a ultrassom ou tomografia geralmente completam o diagnóstico. O tratamento é cirúrgico, consistindo de ressecção do cisto ou da porção do fígado que o contém (hepatectomia).

Cistos hepáticos simples

Os cistos hepáticos simples são os mais comuns do fígado, ocorrendo em 3-4% da população. Geralmente são assintomáticos, a não ser que apresentem complicações como sangramento ou infecção, ou devido ao seu tamanho causem compressão a estruturas próximas ao fígado (estômago, ductos biliares e intestino). Nestes casos o sintoma predominante é dor na parte superior direita do abdomen. São geralmente menores que 5 cm, mas podem atingir enormes dimensões. Estes cistos não se comunicam com os ductos biliares e não contém bile. Não se conhece a causa, mas se acredita que não há um caráter hereditário. Exames de função do fígado geralmente estão normais. Ultrassonografia geralmente estabelece o diagnóstico. Tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser utilizadas para melhor caracterização de cistos maiores ou onde direnciação de cisto neoplásico seja importante. Não há qualquer necessidade de tratamento se não há sintomas ou complicações.

Tratamento dos cistos simples do fígado

Nos casos em que exista necessidade de tratamento se utiliza a retirada de parte do cisto (chamada de destelhamento). Cistos gigantes podem requerer hepatectomia ou combinação de destelhamento e hepatectomia. Nestas cirurgias, emprega-se rotineiramente laparoscopia (destelhamento ou hepatectomia videolaparoscopica) para que o paciente possa se beneficiar com uma cirurgia minimamente invasiva.

Ressecção total do cisto não é indicada, também não se recomenda tentar separar o cisto do fígado, aspirar seu conteúdo para tratamento ou injeção de substâncias (como álcool por exemplo) dentro do mesmo. Em casos onde haja suspeita durante a cirurgia de cisto neoplásico, o tratamento deve ser modificado de acordo com o tipo de neoplasia maligno ou benígna.
Saiba mais sobre cistos neoplásicos do fígado

Cistos decorrentes de doenças genéticas: doença policistica do adulto, da criança e doença de Caroli, consistem de mutação genética que tendem a gerar cistos no fígado e/ou rins. A maioria dos casos é diagnosticada devido a hipertensão arterial ou presença de falência renal com diagnóstico concomitante de doença policística do rim. Estes cistos geralmente não se comunicam com o sistema biliar e não contém bile.

Quando em tamanho avantajado ou número acentuado podem causar compressão dos ductos biliares, vasos sangüíneos do fígado, levando a aumento da pressão no sistema de veias do aparelho digestivo. A semelhança da cirrose podem também apresentar barriga d’agua e hemorragia digestiva. Infecção, compressão dos ductos biliares com icterícia (amarelão) também são comuns. Estes cistos predispõem ao aparecimento de pedras (litíase) e câncer dos ductos biliares (colangiocarcinoma).

O diagnóstico e o tratamento se assemelham ao dos cistos simples. Colangioressonancia é o exame de escolha para suspeita de doença de Caroli. Pode haver necessidade de destelhamento, drenagem da infecção, ressecção do fígado, drenagem dos ductos biliares ou transplante de fígado com ou sem associação ao transplante de rim dependendo da gravidade da doença.

Cistos neoplásicos

Cistoadenoma e Cistoadenocarcinoma hepáticos (biliares). Os cistos neoplásicos (ou neoplasias císticas do fígado) são extremamente raros e mais comuns em mulheres jovens. Podem ser benígnos (Cistoadenoma hepático ou biliar) ou malígnos (cistoadenocarcinoma hepático ou biliar).

Acredita-se que os cistoadenocarcinomas provenham da transformação malígna dos cistoadenomas. O sintoma mais comum é de massa palpável e/ou dor abdominal na parte superior direita da cavidade abdominal. Suspeita de um médico experiente é de fundamental importância para o diagnóstico.

O relato dos sintomas aliado a presença de cistos grandes com cápsula evidente e grossa de parede interna fina, com conteúdo calcificado, mais viscoso (pela presença de uma substância chamada mucina) ou com múltiplas cavidades (multilocular) em exames de imagem leva a suspeita diagnóstica. Muitas vezes não se suspeita da presença de cistos neoplásicos até que se realize ou se complete a cirurgia.

Caso haja suspeita durante a cirurgia, pode-se coletar o conteúdo do cisto para dosagem de marcadores tumorais (CEA) e investigação de células cancerígenas. O diagnóstico somente é confirmado através do exame microscópico da parede do cisto, obtido durante cirurgia. Quando se comprova a presença de tumor a ressecção completa da cápsula está indicada.

Da mesma forma, se o diagnóstico de cisto neoplásico for confirmado  após destelhamento de um cisto que se julgava simples,  remoção completa da cápsula e/ou hepatectomia estão indicados. 

Tratamento dos cistos neoplásicos do fígado

Como o risco de malignação é alto (até 25%) há necessidade de ressecção cirúrgica (hepatectomia ou enucleação) em todos os casos. Diferentemente de cistos simples, o cistoadenoma deve ser completamente enucleado (toda cápsula removida), o que geralmente é possível por apresentar capsula mais grossa. O cistoadenocarcinoma deve ser completamente ressecado (hepatectomia) com um segmento de pelo 1 cm de fígado ao seu redor.

Muitas vezes não se suspeita da presença de cistos neoplásicos até que se realize ou se complete a cirurgia. Caso haja suspeita durante a cirurgia, pode-se coletar o conteúdo do cisto para dosagem de marcadores tumorais (CEA) e investigação de células cancerígenas. Também pode-se utilizar exame de congelação que consiste do exame microscópico da cápsula do fígado.

Em se comprovando a presença de tumor a ressecção completa da cápsula está indicada.  Se o achado for de tumor maligno, hepatectomia deve ser realizada. Da mesma forma, se o diagnóstico de cisto neoplásico for confirmado  após destelhamento de um cisto que se julgava simples,  remoção completa da cápsula e/ou hepatectomia estão indicados.
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