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Qua, 15 de Fevereiro de 2012 17:04

Pólipos da Vesícula Biliar

Pólipo é a denominação que se dá para uma saliência encontrada na camada mais interna da vesícula biliar. Este problema ocorre em 1,3-9,7% da população mundial.
 

Origem dos pólipos da vesícula biliar

Existem vários possíveis motivos para desenvolvimento de pólipos. Dentre eles destacam-se:
-    mucosa heterotópica,
-    Inflamação da camada mais interna da vesicular chamada de mucosa,
-    colesterol,
-    hiperplasia da mucosa,
-    Tumores benignos (como adenoma, fibroma, neurofibroma, carcinoide, lipoma, leiomioma, hemangioma),
-    Tumores malignos (adenocarcinoma ou mais raramente de metástases provenientes de outros órgãos).

A forma mais frequente detectada na ultrassonografia é o pólipo de colesterol, responsável por até 70% de todos os pólipos. A associação destes pólipos de colesterol com câncer é extremamente rara.
 

Colesterolose

Colesterolose são nódulos de colesterol pequenos que se acumulam na camada mais interna da vesícula biliar. Também conhecida como “Vesícula em morango”. Associa-se a pólipos em 10% dos casos. Não se sabe se podem causar sintomas na ausência de outros problemas da vesícula biliar. O diagnóstico é geralmente feito após a cirurgia.
 

Adenomiomatose

Adenomiomatose é o aumento da espessura da camada mais interna da vesícula biliar. Quando ocorre no fundo também é conhecido como adenomioma. Correspondem a cerca de 25% de todos os pólipos.
 

Adenomas da vesícula biliar

Os pólipos chamados de adenomas estão presentes em 0,5% de todas as vesículas retiradas por cirurgia e correspondem a cerca de 5% de todos os pólipos da vesícula biliar. Sabe-se que, com o passar dos anos, existe uma relação do adenoma com o desenvolvimento de câncer (adenocarcinoma). Os outros tipos de pólipos são extremamente raros e somados correspondem a menos de 1% de todos os pólipos.

Devido à dificuldade em diferenciar através dos sintomas e exames o tipo de pólipo, a maneira como o tratamento será conduzido leva em consideração sintomas, idade do pacientes, fatores de risco para câncer, tamanho e crescimento do pólipo e risco para cirurgia.
 

Sintomas de pólipo da vesícula biliar

- Grande maioria não apresenta sintomas e descobre-se a presença do pólipo durante exame de imagem para outra finalidade
- Quando presente: Cólica biliar (semelhante à daqueles com pedra na vesícula) é o sintoma mais comum. A dor na barriga costuma ser do lado direito, abaixo das costelas, podendo se apresentar em crises acompanhadas por náuseas, vômitos e falta de apetite.
- Raramente pode haver icterícia (amarelo nos olhos), hemobilia (sangramento nos canais da bile) ou inflamação da vesícula biliar (colecistite aguda).
 

Diagnóstico de pólipo da vesícula biliar

ultrassom da vesícula biliar detecta pólipos e cânceres da vesícula biliar em mais de 90% dos casos. Por haver uma imagem bem típica durante o exame, um examinador experiente pode diferenciar o pólipo de uma pedra da vesícula. Alguns autores sugerem o uso associado de doppler ou de microbolhas com a ultrassonografia.

No entanto, muitas vezes as imagens precisam ser complementadas para uma melhor avaliação do tipo de pólipo e do potencial grau de malignidade. Para isto o exame que vem sendo cada vez mais utilizado é o ultrassom endoscópico. PET scan, tomografia e ressonância são raramente utilizados na maioria dos casos de doenças biliares. Tomografia computadorizada com uso apropriado de contraste, e interpretação por um radiologista experiente, pode contribuir pra diferenciar o pólipo de um tumor verdadeiro (Adenoma ou adenocarcinoma).

Outros exames de sangue podem demonstrar alteração do fígado, dos canais biliares, do pâncreas e sinais de infecção. Marcadores tumorais como CEA e CA 19-9 podem ser usados pra auxiliar no risco de malignidade.
 

Diferenciação entre pólipo benigno e maligno

Utiliza-se uma combinação de fatores para esta diferenciação. Dentre eles:
- Idade: indivíduos com mais de 50 anos tem maior chance de apresentar um tumor do que um pólipo de colesterol.
- Tamanho atual e crescimento do pólipo: aqueles menores de 5mm são sempre considerados benignos e os maiores de 1cm têm chance de até 70% de serem malignos. O problema é o grupo com tamanho entre 0,5-1cm. Aqui se avalia o crescimento em exames de ultrassonografia repetidos.
- Número de pólipos: os de colesterol são geralmente múltiplos, tumores malignos são geralmente únicos, raramente ultrapassando mais de 3 lesões.
- Formato do pólipo: aqueles com “pescoço” (pedunculados) tem risco menor de apresentarem malignidade do que pólipos sem “pescoço” (sésseis).
- Presença concomitante de pedras na vesícula ou de uma doença do fígado conhecida como colangite esclerosante primária  são fatores adicionais para o risco de malignidade.
 

Tratamento de pólipos da vesícula biliar

Acreditamos que mais que remédio, exames de ultrassonografia repetidos ou cirurgia é de extrema importância que se ensine aquele portador de pólipo sobre suas características, sintomas, risco de malignidade e necessidade de tratamento.

Pacientes sem sintomas com pólipos menores de 5mm devem-se acompanhados com exames de ultrassonografia repetidos de 2-4x ao ano. Embora controverso acredita-se que a maioria dos pacientes com pólipos entre 5-10mm possam ser aconselhados a realizar seguimento com ultrassonografia em intervalos de 6-12 meses. Em caso de crescimento se indica a remoção da vesícula biliar.
 
Pacientes com sintomas, ou portadores de pólipos maiores de 1cm, com crescimento documentado pela ultrassonografia ou associados à colelitíase (alguns incluem aqueles com pólipos sésseis, únicos ou maiores de 50 anos também neste grupo) devem ser aconselhados a terem a vesícula biliar removida, pela cirurgia chamada de colecistectomia videolaparoscópica. Este método traz todos os benefícios da cirurgia minimamente invasiva. Neste método, são realizados quatro pequenos cortes) no abdome do paciente, por onde são introduzidas as pinças e a câmera de vídeo e a vesícula biliar é removida pelo umbigo.

Alguns especialistas sugerem que pólipos grandes (>2cm) devam ser removidos por colecistectomia aberta. Outra opção, nos casos de maior risco que o pólipo seja maligno indica-se realizar exame no microscópio ainda na sala de cirurgia (chamado de congelação), para se verificar a presença ou  não de malignidade. Em caso de presença de câncer se indica, na maioria dos casos, ainda durante esta cirurgia. a remoção também de parte do fígado (hepatectomia) e gânglios da região (chamada de linfadenectomia), de forma semelhante àqueles pacientes com câncer da vesícula biliar. Quando tumor de vesícula for encontrado está também indicada linfadenectomia e de parte do fígado (hepatectomia).
 

Resultados da colecistectomia videolaparoscópica

Os resultados desta cirurgia são excelentes com índice muito pequeno de complicações. O paciente apresenta-se curado dos sintomas e livre do risco de malignização, com altos índices de satisfação,  recuperação extremamente rápida e baixo índice de complicações.
Pacientes com pólipos da vesícula biliar malignos terão resultados dependentes do estadiamento do tumor.

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